Como um rebranding pode multiplicar seu faturamento: o caso da Elements
O case da Elements: como liderei o rebranding que fez o faturamento anual saltar de R$10M para R$30M no primeiro ano — e para R$85M em dois anos.

Muito se fala em branding, rebranding, posicionamento de marca. Mas, de fato, você já refletiu se a sua marca hoje faz sentido para o cliente que você deseja alcançar? Vou compartilhar o case da Elements, onde sou Diretora de Marketing e lidero o rebranding que fez o faturamento anual saltar de 10M para 85M em dois anos.
Quando comecei na Elements, a empresa estava reposicionando-se no mercado. O foco era expandir e diversificar o mix de produtos, mas a percepção de marca precisava ser ajustada para atrair um público totalmente diferente. O maior desafio: a marca não precisava apenas ser adaptada, mas recriada para gerar conexão com esse novo perfil de cliente. Aqui está um resumo prático do que fizemos — quem sabe você possa aplicar algo similar na sua empresa?
A Estratégia: Os três pilares do rebranding da Elements

1. Estruturação de Marca

A marca precisava ser reestruturada e refinada. Para isso, entendemos a fundo o público-alvo, desenhamos as personas e identificamos o que despertaria o interesse desse público em específico, começando com algumas perguntas simples, mas fundamentais: o que ele consome de conteúdo? qual sua profissão e seus hobbies? Seus medos e sonhos? Suas marcas favoritas? O que essas marcas possuem em comum? Como é sua rotina? Seus valores?
A partir daí começaram os testes. A princípio foram estruturados os canais de comunicação gerar conexão e uma conversa genuína. Em seguida as ações offline que poderíamos fazer para gerar além da conexão, experiências memoráveis com esse potencial cliente.
Definimos também o direcionamento de conteúdo dentro de uma matriz, a frequência desses conteúdos e os parceiros e influenciadores que seriam nossos impulsionadores na estruturação desse posicionamento.
Na etapa de branding visual, escolhi um posicionamento premium com identidade visual minimalista, cores neutras, tipografia que remetesse à tecnologia e cenários aconchegantes e futuristas. Essa abordagem garantiu unidade em todos os pontos de contato. A decisão de adotar uma identidade premium e minimalista não foi por acaso. Na pesquisa citada acima, identifiquei que muitos dos nossos potenciais clientes consumiam marcas como a Apple e Nike que adotam esse tipo de contexto visual. Seria muito mais familiar para o cliente se partíssemos dessa similaridade, isso aumentaria nossas chances de aceitação.
2. Dinamismo operacional

Esse aqui vai pegar vocês de surpresa. Como assim, dinamismo? Imagine uma marca que já existia há 6 anos e que precisaria se reinventar totalmente sem perder vendas no meio desse caminho. Sim, esse era um senhor desafio. O dinamismo garantiu que a marca parecesse grande, mesmo quando ela era pequenininha. Explico melhor a seguir.
Quando fazemos um rebranding, o grande segredo é testar e validar todas as suas hipóteses com velocidade. A ação que responder positivamente, você replica e investe mais recursos (tempo ou grana), a que não apresentar resultados, você descarta e dá lugar a uma nova hipótese.
No meio desses testes, você precisa mostrar aos seus potenciais clientes que a marca é sólida, relevante, confiável... A melhor maneira de fazer isso rapidamente é criar um INTENSO E IMENSO movimento de marca. Ações diversas acontecendo com muita frequência, de forma concomitante, sim, tudo ao mesmo tempo. Esse foi o segredo para fazer com que no primeiro ano de rebranding, a marca faturasse mais do que nos 6 anos anteriores.
Eventos todo mês, parceiros e influenciadores todas as semanas, conteúdos em diversas redes sociais todos os dias, blogs, e-mails, mídia offline, Youtube com conteúdos semanais sobre assuntos relacionados aos nossos (até então) novos produtos. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo fez com que a marca desse um boom de mercado e rapidamente ocupasse lugares que outras marcas estavam tentando ocupar há anos. Chegamos com tanta força e intensidade que o cliente sentiu segurança e apostou em nós.
Pensa na seguinte lógica: se você vê uma marca por todo lugar, com bons conteúdos e experiências memoráveis, você vai pensar que ela é pequena ou que ela é relevante e que está crescendo cada vez mais? Se a marca está crescendo, significa que outras pessoas estão consumindo. Se outras pessoas estão consumindo, significa que você pode confiar e consumir também. Resultado? Um grande volume de pessoas confiando na marca e consumindo ao mesmo tempo. Pronto! É aí que hackeamos o sistema.
Por essa razão, senhoras e senhores, pontuo o item 2 da estratégia como DINAMISMO. Sem isso, mesmo com uma excelente qualidade no marketing, os resultados seriam muito mais lentos.
3. Estrutura interna

Sim, para estar bom fora, precisa estar funcionando dentro.
A estrutura interna envolve muitas peças relevantes para o crescimento sustentável de uma marca. Vou listar duas que participam diretamente do processo de rebranding: a equipe de marketing e o desenvolvimento de produtos.
Assim que cheguei na Elements, uma das primeiras ações que executei referente à equipe, foi dividir muito claramente a equipe criativa da equipe de growth. A equipe era bastante enxuta na época, havia 5 pessoas, que se dividiam entre design gráfico, audiovisual e veiculação de mídias pagas. Contratei mais duas pessoas para organizar melhor suas responsabilidades e criamos rotinas. Essa equipe de 7 pessoas englobaria todas as áreas de marketing, e trabalharia com qualidade e frequência: conteúdos em vídeos, fotos, redes sociais, eventos, blogs, e-mails, parcerias, mídia offline etc. E funcionou muito bem. No primeiro ano, inclusive, para dar conta dessa rotina toda eu cuidei diretamente de eventos presenciais.
A dinâmica era a seguinte (e é até hoje): a equipe de growth, responsável pelas vendas, demanda das equipes criativas conteúdos com foco em conversão, enquanto as equipes criativas também são responsáveis por gerar leads qualificados para as equipes de growth de forma orgânica criando conexão e senso de comunidade. Em contrapartida, a equipe de growth também nutre a equipe criativa com dados do que funciona para que a marca continue crescendo.
Resumindo, um time demanda do outro, gerando fluxo intenso de ações de marketing, como se a equipe criativa fosse uma agência interna e a equipe de growth, um cliente b2b.
Dessa forma, temos uma fração da equipe pensando em marca, branding, conteúdo, percepção de valor, alcance e construção de autoridade e a outra equipe usando todos esses recursos gerados pela equipe criativa para obter retorno financeiro para a empresa. Esse é um grande segredo que validei na Capitona em uma escala menor e carreguei para a Elements, e funcionou muito bem.
Outro ponto relevante ainda sobre esse tópico é que dentro das minhas equipes a maior responsabilidade de atrair público qualificado é da equipe de branding, diferente do que muitas empresas fazem nos dias de hoje. O movimento gerado pela equipe de branding (o movimento orgânico) é estratégico para o público certo, frequente e intenso mês a mês, o que faz com que o investimento em veiculação paga seja muito mais efetivo. A marca tem força e credibilidade suficiente para que as campanhas pagas tenham bom resultado.
Em 2023, identificamos as necessidades dos profissionais corporativos e de home office e criamos uma coleção completa de produtos específicos para esse público. Durante o ano, validamos alguns produtos e descontinuamos outros. Os validados hoje ocupam uma fatia expressiva do faturamento anual.
Nosso propósito de marca é desenvolver produtos que ajudem profissionais a serem mais produtivos e terem conforto e saúde em suas rotinas de trabalho. Pensando nisso, lançamos mesas com ajuste de altura, acessórios para organização de setup, monitor de mesa, monitor portátil, entre outros. Todos esses produtos carregam a ideia de inovação e tecnologia, alinhados com nosso posicionamento de marca. Você deve sempre se atentar a esse detalhe ao lançar produtos em meio a um rebranding. O produto deve fazer sentido com a marca no todo.
Resultados do primeiro ano

No primeiro ano, a marca saltou de um resultado de vendas de 10M ao ano para 30M ao ano. Um crescimento de 200%. Isso me mostrou que as estratégias adotadas foram muito assertivas para esse caso e que o caminho adotado poderia ser replicado e aprimorado para os próximos anos.
O trabalho detalhado neste artigo aconteceu em meu primeiro ano na empresa, o ano de 2023. Em 2024 tive outros desafios e metas como diretora, que acabaram por aumentar o faturamento exponencialmente mais uma vez. Esses desafios e sucessos trarei como cases em próximos posts.
O que fica de lição

O rebranding não é apenas sobre mudar a identidade visual. Isso é muito simplório, concorda? Ele deve ser uma estratégia integrada que envolva todos os aspectos da marca, desde a comunicação até a experiência do cliente. Mas você deve fazer isso no detalhe, de maneira profunda, de forma dinâmica e sempre, construindo autoridade e gerando conexão real com seu cliente.
Antes de tudo, você precisa entender a fundo QUEM ELE É e o que ELE QUER de fato. Mostre a ele que você o entende e que vê suas reais necessidades. Apresente-se como uma solução, faça disso seu propósito. Não se limite a ser/oferecer um produto ou um serviço sem alma.
Estruture sua equipe interna e recursos para que tudo flua de maneira coordenada, com previsibilidade. Isso gera no cliente a imagem de uma empresa estável e confiável — crucial em um momento de rebranding, onde você está se reinventando.
E por fim, teste hipóteses e ajuste rapidamente sua rota. Você está começando um novo posicionamento e com isso terá um novo perfil de cliente, precisa entender o que funciona e o que não funciona antes de investir muitos recursos.
Concluindo, essas foram as ações que garantiram resultados verdadeiros e sustentáveis no processo de rebranding da Elements. Um rebranding bem sucedido e que tem se mostrado cada vez mais promissor.
Espero que esse resumo seja útil a você e te inspire a embarcar em seu próprio rebranding. Deixe seu comentário com dúvidas, insights ou ideias!